Origem e Enquadramento do Conceito

 

Nas últimas décadas, na Europa e nos Estados Unidos, o trabalho evoluiu de uma base predominantemente de força física para a ação mental, exercida à secretária, ao volante, na consola de uma máquina ou semelhante. Como resultado positivo, o mercado de trabalho tornou-se mais acessível mas, em contrapartida, deu origem a um estilo de vida pouco saudável com reduzido ou nulo exercício físico. Essa questão foi agravada pela separação entre as zonas onde o trabalho é exercido e os "dormitórios" onde se encontra a família e o lar. 

O tempo de deslocação substitui-se ao tempo de lazer e o fim-de-semana foi gradualmente invadido pelo trabalho em excesso ou pela necessidade de manter informação e competências, deixando de ser preenchido pela assistência à família e pelo repouso.

Assim, o stress causado, por exemplo, por situações de mudança, a dificuldade de conciliação entre o trabalho e a vida pessoal/familiar, o assédio no local de trabalho, a inatividade, a má nutrição, o tabagismo e os excessos em consumos e/ou comportamentos aditivos, conduziram ao crescimento de estados não saudáveis como diabetes, doenças de coração e pulmões, alergias, ansiedade e depressão. O resultado no trabalho demonstra-se pelas ausências por doença ou redução de capacidade e qualidade de resposta mesmo quando presente, comportamento atualmente designado como presentismo, com níveis superiores ao absentismo.

Segundo a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA), o stress é um dos problemas de saúde relacionado com o trabalho reportado mais frequentemente nos países europeus, contribuindo para cerca de 50% dos dias de trabalho perdidos.
Adicionalmente, um inquérito realizado a 5.000 trabalhadores portugueses entre 2014 e 2015, concluiu que o risco de burnout e a exposição ao stress aumentou de 13% em 2013 para 17,3% em 2015, tendo em conta que quase metade dos inquiridos afirmou estar submetido a situações "com elevado potencial de desenvolver burnout".
Apesar da existência destes problemas, de acordo com o inquérito realizado às empresas por parte da Agência Europeia, cerca de 80% respondeu que não define planos de ação que possam prevenir o stress ocupacional, o bullying e o assédio, o que demonstra que ainda existe bastante trabalho a ser realizado neste âmbito.

Algumas empresas em Portugal têm procurado estimular nos seus colaboradores estilos de vida mais saudáveis, chegando mesmo a oferecer no local de trabalho apoios de nutrição, de combate ao tabagismo e ginástica laboral.
Estes programas têm também surgido como atividades outdoor, nas quais o colaborador é colocado em ambientes exteriores para praticar atividade física ligeira, em equipas ad hoc, reaprendendo um convívio que a atual forma de trabalho não proporciona. Surge assim o conceito de bem-estar no local de trabalho ou workplace wellness, que integra a Corporate Wellness mas não a esgota.

De facto, a saúde mental é interlocutora da saúde física e não existem uma sem a outra. No mesmo sentido, a saúde mental dos colaboradores é fortemente afetada por stress ilegítimo e descontrolado provocado por vezes por inadequado estilo de gestão que pode culminar no assédio moral, na má gestão das capacidades e competências do trabalhador, na pressão para resultados fora do seu controlo ou possibilidade que pode culminar em depressão. 

A inadequada gestão de pessoas pode levar a situações cujo resultado prático é a perda de saúde da pessoa e a doença na organização. Implícito no conceito de Corporate Wellness está também o cuidado com a família do colaborador, na medida da possibilidade de intervenção da organização, nomeadamente através do respeito pelo tempo que este deve dedicar à sua vida familiar, mas também com programas de apoio – literacia e apoio financeiro, serviços de bem-estar, apoio parental e apoio psicológico.

Com o desenvolvimento da Responsabilidade Social, a Corporate Wellness ganhou o seu enquadramento como resposta às expetativas dos colaboradores enquanto parte interessada interna e como esforço de redução dos impactes negativos sobre a vida das pessoas, a par da maximização de impactes positivos no mesmo domínio. Assim, a Corporate Wellness é um desenvolvimento voluntário da Saúde Ocupacional.

A CW inscreve-se num dos princípios estratégicos do Plano Nacional de Saúde Ocupacional (PNSOC), onde pode ler-se: "Promoção de ambientes de trabalho saudáveis, em que para além de condições de trabalho seguras possibilitem aos trabalhadores alcançar elevados níveis de conforto e bem-estar físico, mental e social, e o contexto de trabalho ofereça oportunidades para a melhoria da saúde individual e o reforço de práticas e estilos de vida saudáveis".

Como consequência desse princípio, o Objetivo 4 do PNSOC consiste na "promoção da saúde e práticas de trabalho e estilos de vida saudáveis".
Com uma redução cada vez mais acentuada da proteção dispensada pelo Estado em cuidados de saúde, a par da situação económica debilitada das famílias, as organizações ver-se-ão na eminência de cuidar dos seus trabalhadores para manter os níveis de capacidade, aptidão, disponibilidade, motivação e empenho que constroem a sua competitividade.

Assim, a Corporate Wellness responde às necessidades das organizações e tenderá a crescer em Portugal, principalmente através de programas como os que são disponibilizados pela Pedra Base.